Estrutura Metálica vs. Concreto Armado: qual sistema escolher para a sua obra?
Engenharia
14 jul 2026Equipe Berti

Estrutura Metálica vs. Concreto Armado: qual sistema escolher para a sua obra?

Por Berti Estrutural | Engenharia & Construção

No mercado brasileiro de obras de médio e grande porte, dois sistemas estruturais dominam as especificações técnicas: a estrutura metálica e o concreto armado. A pergunta que engenheiros, incorporadores e gestores de obras se fazem com frequência é direta — qual dos dois é melhor? A resposta, porém, raramente é simples.

A verdade é que ambos os sistemas são eficazes, possuem custos e performances distintas e, na maioria dos projetos bem concebidos, trabalham de forma complementar. A escolha certa depende de variáveis específicas de cada empreendimento: finalidade, prazo, vão livre necessário, condições de fundação e orçamento disponível.

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O que diferencia cada sistema

Estrutura Metálica:

A estrutura de aço é reconhecida por sua velocidade de montagem e leveza relativa. Por ser fabricada industrialmente com alto controle dimensional, chega à obra praticamente pronta para montagem, o que reduz significativamente o tempo de execução em campo. Estudos comparativos publicados no Brasil apontam que obras em estrutura metálica podem ser concluídas até 40% mais rápido do que métodos construtivos convencionais em concreto moldado in loco — vantagem decisiva para galpões industriais e edifícios comerciais onde cada dia parado representa custo operacional (Comparação de custos e prazos de galpões industriais em concreto pré-moldado e estrutura metálica — ResearchGate, 2020).

Outra característica técnica relevante é a capacidade de vencer grandes vãos livres com menor número de pilares. Enquanto estruturas em concreto armado convencional tendem a demandar mais apoios intermediários para vãos acima de 15 metros, o aço estrutural permite coberturas e pavimentos com vãos expressivos sem comprometer a funcionalidade do espaço interno — fundamental em armazéns logísticos, centros de distribuição e pavilhões industriais.

A leveza do sistema metálico também reduz as cargas transmitidas à fundação, que responde por parcela significativa do custo total de qualquer obra. Em solos de menor capacidade de carga, essa vantagem pode representar economia real no dimensionamento das sapatas ou estacas.

Por fim, a estrutura metálica oferece facilidade de ampliação futura e reversibilidade. Diferentemente do concreto, um pavilhão metálico pode ser desmontado, relocado ou expandido com alterações estruturais viáveis — flexibilidade que o concreto armado simplesmente não oferece no mesmo grau.

Principal desvantagem: o custo de material é, em geral, mais elevado que o do concreto. O aço estrutural também demanda atenção ao comportamento em situação de incêndio — a partir de aproximadamente 400°C, o aço já inicia a perda progressiva de resistência mecânica, podendo perder cerca de 50% de sua capacidade estrutural por volta de 550–600°C. Isso não inviabiliza o sistema, mas exige projeto de proteção passiva (tintas intumescentes, revestimentos) compatível com a classe de risco da edificação, conforme exige a ABNT NBR 14323:2013 (Dimensionamento de estruturas de aço em situação de incêndio).

Concreto Armado:

O concreto armado é o sistema estrutural mais utilizado no mundo. Sua robustez, inércia térmica e resistência ao fogo são características consagradas. O material apresenta bom comportamento sob cargas de compressão, durabilidade elevada em ambientes agressivos e, quando bem executado, baixa necessidade de manutenção ao longo de décadas.

Do ponto de vista financeiro, o concreto é competitivo, especialmente em obras com vãos menores, estruturas de múltiplos pavimentos com lajes maciças e construções onde a mão de obra local é o fator determinante de custo. A ABNT NBR 6118:2023 (Projeto de estruturas de concreto — Procedimento) estabelece os parâmetros de dimensionamento que garantem a segurança e a durabilidade do sistema.

Principal desvantagem: o tempo de execução. O concreto moldado in loco exige cura, fôrmas, escoramento e sequência de concretagem que aumentam o prazo da obra. Além disso, seu peso próprio elevado — em torno de 2.500 kg/m³ — implica fundações mais robustas e, consequentemente, mais caras.

A combinação entre os dois sistemas: o melhor dos dois mundos

Uma abordagem que vem ganhando consistência no mercado brasileiro é a utilização conjunta de estrutura metálica e concreto pré-moldado. O pré-moldado chega à obra com peças prontas, fabricadas em ambiente controlado de fábrica, o que garante maior qualidade de execução, menos entulho no canteiro e montagem ágil. Quando combinado à estrutura metálica, o conjunto une a leveza e a velocidade do aço à robustez e ao custo competitivo do concreto — um equilíbrio técnico e econômico que tem se mostrado eficiente em galpões logísticos, plantas industriais e grandes empreendimentos comerciais.

O aço ZAR 400: alta resistência com proteção integrada

Nem todo aço estrutural é igual. Na Berti, trabalhamos com o aço ZAR 400, especificado pela norma brasileira ABNT NBR 7008, um aço de alta resistência mecânica — com limite de escoamento de 400 MPa — já dotado de revestimento galvanizado a quente de fábrica. Essa característica elimina uma etapa de proteção anticorrosiva que seria necessária em aços comuns, reduzindo custos de manutenção ao longo da vida útil da estrutura e aumentando a durabilidade em ambientes externos ou úmidos.

Associado ao nosso sistema 100% parafusado, que dispensa solda em campo, o ZAR 400 entrega uma estrutura com:

  • Montagem mais rápida e limpa, com menos dependência de mão de obra especializada em soldagem
  • Manutenção mínima ao longo da vida útil
  • Possibilidade real de desmontagem e relocação, caso o empreendimento demande alterações futuras
  • Maior segurança estrutural, dado o padrão de resistência superior ao aço carbono convencional
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Então, qual sistema é o mais econômico para a sua obra?

Não existe uma resposta universal — e qualquer empresa que afirme o contrário sem analisar o projeto específico merece desconfiança. A decisão depende de variáveis como vão livre necessário, prazo de entrega, tipo de uso, nível de agressividade ambiental, características do solo e orçamento disponível. Para vãos acima de 15 metros, a estrutura metálica tende a ser mais competitiva. Para edificações com múltiplos pavimentos compactos e cargas concentradas, o concreto pode ser mais adequado.

Na prática, muitas obras que chegam à Berti com orçamento preliminar em aço terminam com a solução mista — aço + pré-moldado — como a mais viável. Outras que chegam com projeto em concreto convencional ganham eficiência significativa ao migrar para o metálico.

O que fazemos é analisar cada caso com transparência, cobrindo desde o projeto estrutural metálico até a montagem em obra, em parceria com fornecedores de pré-moldados de confiança. O objetivo é sempre entregar a solução mais viável — não a mais cara, não a mais rápida por si só, mas a que melhor serve ao seu projeto.

Se você está em fase de decisão, solicite um orçamento. Analisamos as variáveis do seu empreendimento e apresentamos uma comparação fundamentada.

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Referências

  • ABNT NBR 8800:2024 — Projeto de estruturas de aço e de estruturas mistas de aço e concreto de edifícios
  • ABNT NBR 6118:2023 — Projeto de estruturas de concreto — Procedimento
  • ABNT NBR 14323:2013 — Dimensionamento de estruturas de aço em situação de incêndio
  • ABNT NBR 7008 — Chapas e bobinas de aço revestidas com zinco ou liga zinco-ferro pelo processo contínuo de imersão a quente (ZAR 345 / ZAR 400)
  • Reis, A. M. O. — Estudo preliminar comparativo entre estruturas metálicas e concreto armado — Repositório Cogna, 2021
  • ResearchGate (2020) — Comparação de custos e prazos de galpões industriais em concreto pré-moldado e estrutura metálica
  • Total Materia — ZAR 400 (NBR): Properties, Composition, and Best Uses
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